Afonso Borges
Escritor, produtor cultural e empresário, nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1962. Desde 86, dirige os trabalhos da AB Comunicação e Cultura, sendo o responsável pela criação, coordenação e desenvolvimento do “Sempre Um Papo”. Idealizado há 23 anos, o Projeto é considerado, hoje, um dos mais respeitados projetos de incentivo à leitura do Brasil, com mais de dois mil eventos realizados, com a presença de mais de um milhão de pessoas, em 27 cidades, deoito estados, além do Distrito Federal.
Borges possui quatro livros publicados: “Retrato de Época” (poemas, 1980), “Bandeiras no Varal” (poema-plaquete, 1983), “Sinal de Contradição - Conversas com Frei Betto” (Ed. Espaço & Tempo, Rio de Janeiro, 1988), publicado também na Suíça (”Zeichen des Widespruchs”/Edition Exodus, Fribourg/1989) e na Argentina, e “Profecia das Minas” (poemas, 1993).
Escreve em jornais desde os 16 anos e já trabalhou, alternando funções de colaborador, repórter e editor, em diversos jornais e revistas. Colaborou, como jornalista e pesquisador, nos livros “Chatô - O Rei do Brasil” (Companhia das Letras), de Fernando Morais, “O Desatino da Rapaziada - Jornalistas e Escritores em Minas Gerais” (Companhia das Letras), de Humberto Werneck.
Em 1993, com 31 anos, recebeu da Assembléia Legislativa de Minas Gerais e, meses depois, da Câmara Municipal de Belo Horizonte, a “Moção de Reconhecimento Público”. Em 1995, foi distinguido pela Municipalidade com a “Comenda do Mérito Artístico Rômulo Paes”. Em 1997, ano do Centenário de Belo Horizonte, recebeu o título de “Filho Ilustre de BH - 100 Anos”, concedido somente a 100 personalidades, por parte da Fundação Cultural dos Professores/MG e da APPMG. Em 1998, foi agraciado com a medalha da “Ordem do Mérito Legislativo”, no grau Mérito Especial, pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Em 2000, recebeu de um colegiado que compõe o Fórum Mineiro de Jovens Lideranças Empresariais e o Conselho Empresarial de Jovens o “Prêmio Jovem Destaque Cultural 2000”. Em 2002, foi agraciado com a “Ordem do Mérito Legislativo Municipal”, no grau Mérito. Foi Membro da Câmara da Indústria da Cultura, da FIEMG e atuou no Itamaraty / Ministério das Relações Exteriores como Consultor Cultural. Em 2006, recebeu do Governo do Estado, a “Medalha da Inconfidência’. Em 2008, Prêmio Minas Desempenho Empresarial na categoria “Excelência Empresarial / Institucional de Minas Gerais e do Governo do Estado e Prefeitura de Araxá, a “Medalha Calmon Barreto”.
Tático – Olá Afonso! Seria possível um breve comentário sobre a resolução do STJ que aboliu a exigência de diploma para se exercer a profissão de jornalista?
Afonso - Sem dúvida. Para o exercício da profissão de jornalista, nos moldes trabalhistas convencionais, dentro de uma redação, subordinados a um patrão o diploma deveria ser mantido. Para as demais modalidades, como colaborador, cronista e outros, não. Foi por causa de uma certa dubiedade no texto da Lei que todo este processo foi montado. Mas é importante dizer uma coisa: universidade para jornalista é FUNDAMENTAL.
Tático – Sabe-se que sua atuação extrapola os limites do nosso Estado e acredita-se que você tenha um parâmetro para aquilatar públicos e apoiadores em diversos Estados da federação. Como é trabalhar com assessoria de Comunicação e Produção Cultural em Minas?
Afonso – São atividades distintas. A Assessoria de Comunicação é um trabalho técnico, metódico e estratégico. Produção Cultural exige habilidades incomuns, como intuição, experiência no ramo e, na maioria das vezes: sorte, muita sorte.
Tático – Quais seriam os limites de uma assessoria de comunicação em relação à produção cultural?
Afonso – Como eu disse, são atividades distintas.
Tático – O interior de Minas carece de efetivas ações culturais, o que vemos circulando pelo interior são “gestores culturais”, tentando articular algo com a SEC/MG , através da sua Superintendência de Interiorização. Em sua opinião a ação de articuladores culturais vinculados à política de interiorização da SEC tem dado certo? Vc. sente maior integração entre ações culturais advindas desses gestores e a qualidade melhorou?
Afonso – Me perdoe, desconheço esta expressão entre aspas. E não tenho conhecimento da política de interiorização da SEC a ponto de emitir uma opinião.
Tático – Somos de Sete Lagoas – MG. Esse tabu que criaram em torno da inércia cultural de cidade tipo a nossa, ( no nosso caso até valeu matéria nacional , nos chamando de deserto cultural) relacionado à proximidade da capital, é uma história que está chegando ao fim, ou você acha que nossa morosidade se deve ao fato de não se exercitar a pro – atividade cultural por aqui?
Afonso – Creio que o ponto central é o econômico. Sete Lagoas, assim como outra cidades do entorno de Belo Horizonte tem um tremendo potencial artístico e cultural. Quando as empresas e o poder público se sensibilizam para investir em cultura, o reflexo positivo é imediato na vida econômica da cidade.
Tático – Levando em consideração os 22 anos que vcs. atuam tão perto da gente: Existiu algum tipo de barreira, ideológica ou mesmo política, que restringiu por tanto tempo um projeto, tipo “Sempre um Papo”, a entrar em uma cidade igual a nossa?
Afonso – Nenhuma. O "Sempre Um Papo" é um programa com entrada franca ao público. Não teria como se realizar se a IVECO não tivesse se senbilizado em investir, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Tático – Para essa agenda de apresentações que se inicia agora dia 30 de Junho/2009 – em Sete Lagoas, veremos o MV Bill se apresentando no Auditório do Unifemm, em agosto a Leila Ferreira no mesmo lugar a agenda para as dez apresentações por aqui será divulgada quando?. Esse projeto só foi possível realizar-se por aqui porque houve patrocínio de empresas local; em sua opinião as empresas teriam mais visão estratégica do que as prefeituras? Ou vice-versa?
Afonso – A programação será temática e vamos divulgar o mais breve possível as demais atividades. Sim, a IVECO é a responsável pela vinda do projeto para Sete Lagoas. E eu não tenho conhecimento da visão estratégica da Prefeitura de Sete Lagoas para emitir uma opinião. Vou procurar me informar.
Tático - Uma secretaria municipal de cultura tem condições de articular projetos oriundos do próprio município e conferir a estes a visibilidade que o seu tem ?
Afonso – Sem dúvida alguma.
Tático – Outro projeto de autoria da sua empresa é : “Biblioteca Sempre um Papo/ Ler Convivendo”, esse projeto é considerado o braço social do “Sempre um Papo” , nele a ação é adoção de bibliotecas comunitárias. As bibliotecas municipais são consideradas importantes equipamentos culturais subordinadas às Secretarias de Educação da maioria das cidades. Nesse sentido essas secretarias não possuem habilidade de gestão a ponto delas mesmas criarem projetos, ou falta verba?
Afonso - Não posso emitir uma opinião porque desconheço a política cultural destas secretarias.
Tático – “A Associação Cultural Sempre Um Papo é uma sociedade civil sem fins lucrativos, de caráter cultural. Sua missão é contribuir para o desenvolvimento de políticas de incentivo ao hábito da leitura a fim de formar cidadãos.” Até que ponto projetos sociais da magnitude dos criados por essa prestimosa associação ampara e corrige a inadequação administrativa dos poderes: legislativo e executivo de suas funções como co-responsáveis em fazer circular conceitos de cidadania e responsabilidade social? O terceiro setor, em sua opinião, ganha visibilidade em ações dessa natureza e em contrapartida o primeiro e segundo setor financia?
Afonso – Não veja uma correlação direta entre inadequação e amparo. O "Biblioteca Sempre um Papo" adota bibliotecas comunitárias porque elas não tem apoio institucional. Elas são montadas e gestadas pela próprias comunidade e as experiências que vivenciamos nos fizeram dedicar nosso esforço na sua direção.
Tático – Com uma enxuta equipe composta por 9 integrantes, a AB Comunicação nos faz entender que sua estrutura é enorme, como em tão pouco tempo você conseguiu administrar um patrimônio cultural e atuante da maneira como o tem feito aqui?
Afonso – Creio que experiência. São 23 anos de trabalho de muita dedicação e esforço. Mas nosso patrimônio é imaterial: depoimentos, debates, palestras.
Tático – Qual a mensagem você deixaria registrada aqui para os Sete –Lagoanos que buscam se firmar como empreendedores culturais?
Afonso – Que estudem, leiam, conheçam bem a legislação e as oportunidades que o mercado oferece. É um ramo maravilhoso, frutífero e do bem.
Tático – A Rede aan!, Através do Tático Cultural, agradece a cordial atenção à nossa iniciativa em divulgar quem faz algo pela cultura nacional. Nossas congratulações e votos de que continuem em frente!... e também o convite para que nos prestigie visitando o endereço:www.redeaan.blogspot.com são 40 blogs registrando ações relacionadas à diversidade cultural.
Afonso - Muito obrigado. Ótimas perguntas! Raramente vejo isso, parabéns. Abraços, Afonso.
Entrevista exclusiva concedida ao Tático Cultural ? Rede aan!
Sete Lagoas - MG